segunda-feira, 16 de junho de 2008

O Tempo não pára!
Maio de 68

No mês passado comemoramos quarenta anos do ano que não acabou, o Maio de 68. Foi um marco histórico da segunda metade do século XX, foi o ano que eclodiu em diversas partes do mundo manifestações revolucionárias a qual teve a juventude como sua força motriz.

Paris foi um dos principais palcos deste fenômeno, mas no Brasil também houve grandes manifestações que agitaram diversas capitais. Foi em 68 que o regime da Ditadura Militar instalada através de um golpe em 64, viu que a força das amplas massas, lideradas pelos estudantes cariocas, poderia devolver ao país a democracia.

Com a Morte de Edson Luiz de Lima Souto, estudante secundarista, ocorrido durante uma manifestação por melhorias no Restaurante Calabouço no Rio de Janeiro, milhares de pessoas participaram das passeatas dos Cem Mil que exigiam a democratização do país e o fim do regime militar.

O processo de revolta deflagrado teve uma resposta dura dos militares, a qual teve como alvo principal os estudantes e os sindicalistas. Foi decretado o AI-05, como forma de reprimir ainda mais os movimentos sociais que estavam liderando a resistência contra a ditadura.

Em Curitiba, também houve passeatas de resistência em maio de 68. O palco foi a Universidade Federal do Paraná (foto acima). No campus do atual centro politécnico, estudantes lutaram contra a abertura de cursos pagos na UFPR e com paus, pedras e estilingue enfrentaram a cavalaria da policia.

Maio de 2008

Com outra cara, outra bandeira e em um ambiente mais democrático, a juventude mais uma vez fez jus ao seu papel histórico e iniciou um ciclo de mobilizações na capital do Paraná.

As entidades UPE.UPES e UMESC, lideram a massa estudantil nas ruas de Curitiba exigindo o Passe Livre no sistema de transporte para os estudantes. Foram reprimidos pela guarda municipal e sem pestanejarem continuaram a lutar. Em maio preparam uma grande passeata que foi até a porta da Prefeitura e deu um ultimato ao prefeito tucano, Beto Richa(foto).

Alguns jornais querendo desprestigiar o movimento estudantil, levantavam aspectos negativos das manifestações. Rotularam de baderneiros, de rebeldes sem causa e de movimento eleitoreiro. Chegaram a anunciar que a Bandeira do Passe Livre iniciou o debate eleitoral de 2008.

Os sindicalistas não ficaram para trás em maio, com a bandeira da redução da jornada de trabalho, realizaram no dia 28 o movimento de paralisação, fizeram piquete nas garagens dos ônibus da cidade e através da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) interromperam o fluxo da BR-116 na altura da Fabrica da Kraft (foto ao lado).

Também houve confronto com a policia, mostrando que a truculência da época da ditadura militar ainda paira sobre as instituições policiais no país.

Outros Tempos

Estamos em outra época, vivemos na democracia, elegemos um operário para presidente. Porém, as lutas permanecem e episódios como ocorridos em maio 2008, mostra para nós que a chama revolucionária de quarenta anos atrás se mantém viva.

Temos que nos inspirar cada vez mais na geração de 68 e tirar ensinamentos importantes daquela época. E quero render minha homenagem a todos aqueles que no passado e no presente lutam pelo mundo mais justo e fazem valer o que o poeta e cantor, Cazuza, dizia em uma das suas canções: O Tempo Não Pára!